quinta-feira, 26 de abril de 2012

A noite é uma criança

O céu é o limite pra quem sabe sonhar
Mas meus pés estão colados nesse asfalto quente
O sol que ofusca a vista ao invés de iluminar
Traz marcas de um passado, pro futuro, um presente.

Ah, se eu pudesse andar
Quando a voz falar
E o medo enfrentar

A noite é uma criança trabalhando no sinal
Que perde a esperança na espera do real
Realdidade mata a fome e sede de vencer
'Cê diz estar preocupado, mas cadê você?
A sua esmola é boa, eu sei, não vou negar
Mas a sede é de futuro, de alguém pra se espelhar
Eu tento seguir em frente e o sinal sempre vermelho
A sina da minha vida é trocar lebre por coelho

Ah, se eu pudesse andar
Quando a voz falar
E o medo enfrentar


Nova Iguaçu, 27 de abril de 2012.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Proeza

Proeza.
Deita na calmaria e mergulha na agitação,
Faz dum simples sim um fabuloso por que não.
Beleza.

Olhos pacatos, sorriso pungente.
É tudo de novo mas novo: diferente.

É sede de luz no escuro.
É ter mente sã no absurdo.
É o cuspe tinta em papel não timbrado.
É nota faltante em refrão depravado.
O vento cálido de inverno à palo seco.
A fuga tranquila do meio de um beco.

Olhos profundos, sorriso pendente.
É tudo de errado que se faz coerente.
Uma tal de solidez gasosa.
No verso é poema. É canção e prosa.





Juliana.S.A.Lima
Nova Iguaçu, 14 de março de 2012.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Poesia quebrada

Gosto de me nutrir de desejos, me perder em almejos.
Tenho mania de me prender a um lábio, em sorrisos;
mergulhar no fundo dos olhos e depois me atar as mãos.
Há quem diga que é demais, há quem diga vai ser de menos.
Gosto de apreciar a música antes mesmo do refrão;
Há quem acompanhe a solidão.

Rio de Janeiro, 27 de fevereiro de 2012.

Juliana.S.A.Lima

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Que que é isso?

Era de desejos itinerantes.
Num farsante se perde.
Num instante se vai.

Que que é isso?
É a constante mudança,
Mas de tanta andança faz parar.
É o grito do peito,
mas de tanto agito fez cansar.
Que que é isso?

A liberdade se esvai em tinta,
Se trancafia junto das palavras.

Num instante me prende.
Num farsante me faz.

Nova Iguaçu, 30 de novembro de 2011.
Juliana.S.A.Lima

Não é de mim

Esse nó, esse aperto, essa corrosão...
Não é de mim.
Não é de mim, mas é em mim.
O que dizer?
Não é de mim, mas tá em mim.
O que fazer?
Não é de mim, mas é, enfim.
É o tempo. Faz a gente, faz da gente e se desfaz.
Ele enrola e desenrola.
Dá gorjeta e pede esmola.
Quase quis sair de mim.
Quis. Quase fui, mas fiquei, enfim.

Nova Iguaçu, 30 de novembro de 2011.
Juliana.S.A.Lima

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Quereres

De você não quero nada.
Nada além de tudo o que você quiser.
Não nego, desnudo. Sou transparência.
Prefiro assim. Melhor que não ser, melhor que passar.
Não é fácil me banhar em tuas palavras doces, nos teus afetos,
e me ver de repente despida na secura da tua ausência.

A sede cansa de pouco em pouco, mas sou sossego.
Mas meu bem, não se preocupe,de você não quero nada.
Nada além de tudo o que você quiser.
É estranho, mas paciente. É real, mas demente.
Só te peço uma coisa: tudo. Tudo o que quiser.

Sou constante e sou efémera.
Sou tudo, e ao mesmo tempo nada.
Nada que tua palavra não acalante.
Nada que um abraço não agitasse.

Mas não se avexe. Não quero creditar.
Nunca deveu nada, é tudo doação.
Não se avexe. Não quero te atar.
É que dei-me um nó cego de tanto me afagar.

Mas não se procupe amor.
De você não quero nada.
Nada além de tudo o que quiser.


Nova Iguaçu, 28 de novembro de 2011.
Juliana S.A. Lima

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Anjo.
Te despi dos males. Revoguei ultrajes. Dei-me asas.
P'ra você, todo meu apreço.

Nova Iguaçu, 20 de julho de 2011.